terça-feira, 6 de abril de 2021

IRAN: "PERCEBI QUE ALGO MUDOU EM MIM"


Olá pessoal! Meu nome é Iranildo sou de Santa Cruz, interior do Rio grande do Norte, tenho 24 anos e gostaria de contribuir com esse blog sobre homens abusados na infância. 

Irei contar um pouco da minha história e o que tenho vivido atualmente...

Sou filho de pais separados e sou o mais velho entre três irmãos. Tenho outros irmãos por parte de pai, sou de família simples e humilde. 

Tudo começou aos meus sete anos de idade onde houve a primeira tentativa de abuso. Foi pelo filho da vizinha. 

Lembro de uma vizinha que tinha quatro filhos, duas mulheres e dois homens. Geralmente quem mais ficava em casa era o filho mais velho. Esse rapaz que tentou abusar de mim já tinha uma idade entre 17 e 18 anos. 

Numa tarde fui a casa da vizinha, pois gostava de ir lá porque eles me davam café e pão. 

Neste dia, a tarde, só estava o filho mais velho e ele abriu a porta para mim. Fiquei sentado no batente da porta e ele deitou na cama que ficava na sala, pois a casa era pequena. Logo ele pediu para que eu entrasse e escorasse a porta. Em seguida ele baixou o calção e colocou seu órgão genital para fora e pediu para eu fazer sexo oral nele.

Na inocência fui em direção a ele indo fazer o que pedia porém, não cheguei a fazer pois, como a porta só estava escorada um outro rapaz amigo do filho da vizinha entrou na casa e viu a cena. Logo me pediu que fosse para casa e repreendeu o rapaz que tentou abusar de mim. 

Lembro também que foi nessa mesma idade que tive acesso a pornografia e conheci a masturbação, mas isso conto mais a frente.

Após essa tentativa de abuso a vizinha se mudou para outro canto do bairro, mas percebi que algo mudou em mim pois as lembranças daquelas cenas ficaram gravadas na minha mente e eu relembrava todos os dias. 

Nunca contei a ninguém do ocorrido por medo, vergonha e fora que eu era um menino afeminado sofria muito bullying na escola, na vizinhança e dentro de casa.

Após a vizinha se mudar uma outra vizinha veio morar na casa e acabou acontecendo a mesma coisa, só que desta vez o ato chegou a  acontecer. Foi com o primo adolescente dela que a visitava todo dia. 

Não me lembro como começou, mas lembro da passada de mão na minha bunda. Ele me colocava no colo... 

Quando a vizinha não estava em casa ficava só eu e os filhos dela e o primo dela. Esse primo me levou para uma escola e lá ele tentou várias penetrações que, inclusive, machucavam. Esses abusos duraram por muito tempo, mas não me recordo se durou meses ou alguns anos. Essa nova vizinha morou um bom tempo lá. 

Eu me lembro que depois desses abusos despertaram desejos sexuais por meninos e me tornei uma criança sexualizada. Conheci a pornografia e a masturbação! Sempre que eu ia brincar com outras crianças já ia com a intenção maliciosa e pornográfica e cresci assim sempre com o pensamento voltado para o sexo.

Minha adolescência também não foi diferente, tudo que aprendi através dos abusos, foi ver as pessoas como objeto sexual. E descobri a pornografia homossexual. Até então só via a pornografia hétero, focado nos homens, mas a pornografia homossexual atiçou mais ainda meus pensamentos sexualizados. 

Logo percebi na adolescência uma dependência emocional muito grande, fantasias sexuais, autoestima baixa, incapacidade de conquistar meus sonhos, me sinto inferior a outros homens, me sinto depressivo e algumas vezes vem pensamentos suicidas. Troca de humor diário, vício em sexo, pornografia e masturbação. 

Até então tudo que aconteceu comigo eu acreditava que era normal. Via na televisão falar sobre violência sexual contra crianças, mas na minha mente continuava sendo normal tudo o que aconteceu comigo na infância e na minha própria adolescência. 

Fiquei calado até os 18 anos, porém esses conflitos ficaram mais fortes e o assunto sobre violência sexual contra crianças começou a incomodar-me. Foi aí que procurei um psicólogo para me ajudar a entender todos esses conflitos. Tem me ajudado a ter um pouco de paz psicológica.

Hoje estou com 24 anos e ainda sinto esses conflitos, pouco, mas sinto! 

Os vício sexuais, pornografia e masturbação ainda são constates e me prejudicam no meu dia a dia, mas luto para mudar meus pensamentos. 

Tudo isso que me prejudica hoje e que, eu achava normal na minha infância e adolescência, hoje eu desejo que nunca tivesse acontecido. Mas... a vida continua... 

Também procuro na fé um amparo psicológico, emocional e equilíbrio.

Como estão hoje os homens abusados na infância? Iran é um deles! 

Todas as informações deste relato são verídicas, inclusive o nome não foi alterado. 

Iran garantiu que, caso precise, responderá comentários aqui no relato. 

domingo, 4 de abril de 2021

UZIEL: "FUI PRESO AO CHÃO E TIVE A BOCA AMORDAÇADA"


Onze filhos. Família pobre. Não tinha pai para contar. E aos 11 anos de idade eu fui estuprado! A partir desse estupro minha vida tomou um rumo que abalou minha família.

Sim... a homossexualidade interveio na minha vida de uma forma bastante monstruosa. Bastante delicada! O monstro soube exatamente como me atrair...

Ele me analisou durante anos! Conheceu todas as minhas necessidades. O que eu mais gostava. E consequentemente soube como agir.

Na tarde de 2005, num retorno pra casa, ao passar de frente a um bar. Fui chamado por alguém que tinha idade para ser o meu pai. E com conversinhas mansas e com pretexto de não fazer nada de mais, conduziu e me levou para o ambiente que ali seria iniciado o meu processo homossexual.

Para uma criança que gostava de comer doce, dois reais ganhado com tanta facilidade, era bom de mais, principalmente naquela época. Só deixar alguém me tocar para ganhar dinheiro? Numa época que não tinha pai e mãe para dar? Era até de mais para ser verdade. 

Contando assim parecia algo consciente da minha parte, mas eu era uma criança. Fui levado por alguém que tinha mais entendimento que eu!

A cena ainda está viva na minha mente. Coisa de filme de horror: o mais forte que se destaca nessa cena toda foi ser preso ao chão e ter a boca amordaça com a mão para que os gritos de dores não saíssem.

A partir desse estupro estaria eu inserido e consumado na homossexualidade.

Sim, foi a partir desse estupro que eu me vi propenso a homossexualidade.

A partir desse estupro um abismo chamou outro: me vi na escravidão do sexo. Cheguei a ficar com tantos homens que perdi a conta.

O estupro que me levou a homossexualidade, que me levou a uma vida decaída, só me trouxe sofrimento. Só me trouxe angustia. Foram muitas as vezes que eu ficava oprimido por uma vida que eu não escolhi para mim. Uma vida que eu não desejei para mim.

Eu era uma criança sadia que buscava viver... mas ai entrou alguém na história e mudou totalmente o rumo dela.

Eu sofria nas caladas, ninguém me entendia!

Eu gritava por socorro e ninguém me entendia!

Foram muitas as vezes que eu chegava em casa e meu corpo gritava. Meu corpo gemia. Clamava por socorro. Eu não precisava abrir a boca para dizer o que estava acontecendo. Porque o meu corpo denunciava: eu estava magro, os ossos expostos, mas ninguém entendia. Eu pedia socorro e ninguém podia me dar socorro.

Muita coisa foi criando nó na minha mente e tive que buscar por respostas...

Enquanto escrevo isso choro, porque pessoas ainda acham que devo me oprimir como se eu tivesse feito errado em procurar sair dessa vida.

Eu decidi mudar de vida porque a antiga vida que eu vivia não me trazia paz.

Busquei refúgio na fé e foi quando entendi que nem tudo estava perdido para mim. Tudo que eu fiz poderia ser esquecido, e o Uziel que eu queria ser, eu iria ser.

Eu consegui recuperar minha identidade!

Faz anos que Uziel está longe das sequelas do abuso sofrido. Hoje ele é casado com uma moça que tornou-se parceira nessa jornada de superação. Os contatos do casal são: 

Instagram: @uzieumarinhuo
Instagram: @amaysamelo

Este blog lembra que nem todos os que estão na homossexualidade foram abusados, mas muitos dos que foram abusados aprenderam involuntariamente a homossexualidade! 

Por que o resultado de abusos em homens é pouco falado na mídia, na sociedade? Reflita! 

👋 Até o próximo relato!

sexta-feira, 2 de abril de 2021

LEANDRO: EM DIAS DE CHUVA O ABUSADOR APARECIA


Sou Leandro Silva de Freitas, tenho 31 anos e vou contar um pouco da minha história: quando eu tinha de oito pra nove anos de idade fui abusado por um vizinho da família que visitava a minha casa. Quando ele chegava me chamava pra ver um tanque com ele.

É que perto da minha casa tinha esse tanque que quando chovia enchia de água e ele toda vez que chegava lá, me chamava pra ir nesse tanque e eu inocente ia... Isso acontecia todo final de semana, era uma tortura pra mim!

Esse vizinho não sabia, mas ele estava destruindo a minha vida a partir desses abusos, pois eu fui crescendo com trejeitos femininos e com atração por homens.

Com meus 11 anos passei a ser abusado novamente por sobrinhos e irmãos da minha ex-madrasta até os 17 anos, isso me marcou muito, pois eram abusos constantes e diariamente eu era submetido a situações que na época eu achava normal.

Cresci com a mente totalmente confusa e achando que tinha nascido daquela forma e que era normal tal coisa, devido aos abusos sofridos.

Eu cresci e mergulhei na homossexualidade, passei 16 anos na prática. Em novembro de 2016 busquei ajuda na fé e hoje estou aqui lutando diariamente.

Perdoei todos os meus abusadores! Às vezes me dói muito lembrar certas coisas e situações, mas entrego tudo nas mãos de Deus.

Caso você queira conversar sobre o assunto, meus contatos:

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